Cortesía Galeria Virgilio

Todo lugar é ponto de ver

  • Entidades Organizadoras

    Galería Virgilio
  • No filme Rainha Christina1 a atriz Greta Garbo interpreta a Rainha Christina da Suécia, naquele que é considerado um dos seus melhores papéis no cinema. Em uma das cenas emblemáticas do filme, a rainha busca memorizar o quarto em que fez amor com Antonio, interpretado por John Gilbert. Sua forma de memorizar é tateando aquele cômodo, deslizando suas mãos pelas paredes e objetos que compõem aquele espaço. A compreensão do espaço talvez seja uma das maiores virtudes dos estudiosos de arquitetura que, em seus projetos, muitas vezes nos apresentam dimensões construtivas que não conseguimos enxergar. Elas se apresentam naturalmente pelos fluxos dos espaços, pela entrada da luz, e por tantos outros elementos por eles projetados. Talvez venha da formação em arquitetura e urbanismo o interesse da artista Mariana Mattos pela desconstrução e reconstrução do espaço através de suas pinturas. O conjunto de obras produzidas por Mariana para a exposição “Todo lugar é ponto de ver”, nos revela seu olhar em relação ao espaço e a paisagem, suas maneiras de compor através da pintura. Em alguns momentos, a abstração é alcançada em suas composições, em outros, imagens de paisagens se tornam visíveis de maneira mais clara, ou talvez seja o nosso olhar que, através de algum dado da obra, nos faça construir uma possível paisagem ou cena. Esse é um dos pontos mais instigantes dos trabalhos, ao encerrar uma pintura a artista faz com que ela continue em pulsação de construção. Mariana não se deixa levar por um único suporte ou dimensão. Sua capacidade de operar se desdobra de uma pequena tela para um papel de grande dimensão, onde acrílico, óleo e spray parecem criar certa instabilidade e fluidez. É através dessa fluidez que a artista nos faz olhar, ver, perceber ou enxergar. Podemos tomar como ponto de reflexão a obra “O que vemos, o que nos olha”, do filósofo Didi-Huberman. No texto ele nos faz repensar a condição tautológica da imagem, suas ambivalências e as inquietações que elas nos causam2. Os trabalhos de Mariana são imagens que se desmancham do real. Já não são mais retratos daqueles espaços e paisagens, agora são imagens reconstruídas pela memória. Carregam mais a sensação dos espaços e paisagens tateados pela artista. Douglas de Freitas 1 Queen Christina (Rainha Christina) é um filme norte-americano de 1933 dirigido por Rouben Mamoulian. 2 “O ato de ver não é o ato de uma máquina de perceber o real enquanto composto de evidências tautológicas. O ato de dar a ver não é o ato de dar evidências visíveis a pares de olhos que se apoderam unilateralmente do ‘dom visual’ para se satisfazer unilateralmente com ele. Dar a ver é sempre inquietar o ver, em seu ato, em seu sujeito. Ver é sempre uma operação de sujeito, portanto uma operação fendida, inquieta, agitada, aberta. Entre aquele que olha e aquilo que é olhado”. DIDI-HUBERMAN, GEORGES. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Ed. 34, 1998. p.77.

  • Dónde

    Galería Virgilio / São Paulo, Sao Paulo, Brasil
  • Inauguración

    07 nov de 2017

  • Artistas que participan en Todo lugar é ponto de ver


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